Um condomínio clube com 300 famílias em Santana

Depois da implantação da horta no condomínio.
por Rodolfo Rodrigues, 02 de janeiro de 2026.
Quando você lança uma ideia, você não sabe exatamente o que vai acontecer com ela.
É mais ou menos como jogar uma pedra num lago: você controla a pedra, mas não controla as ondas.
O ano era 2019, e eu já estava nas “andanças” de hortas por aí. Sempre que eu estava na horta, eu via e sentia tanta beleza, tanta vida! Então pensava: “Como é que as pessoas não participam disso?” “Acho que tem muita gente que gostaria de fazer um negócio assim: colocar a mão na terra, plantar, cuidar, colher – participar do processo.” E mais: “Não fazer sozinho, mas coletivamente.”

Antes da implantação da horta no condomínio.
Eu não lembro exatamente como aconteceu, mas uma produtora da CondTV me achou na internet, e me convidou para uma entrevista no canal, que falava da vida em condomínio, voltado para síndicos e administradoras. Fui lá na avenida Rebouças em São Paulo e dei a entrevista, ao lado de um síndico que falava dos desafios de se implatar um sistema individualizado de gás encanado em um condomínio, um cara do Rio. Olha que interessante, “desafios do medidor individual de gás encanado”… administrar um condomínio profissionalmente não é brincadeira!

Então a síndica de um condomínio clube em Santana assistiu a entrevista e me chamou para um papo. Ela tinha uma área ociosa no jardim, e achava que uma horta iria cair muito bem lá. O condomínio era grande… 300 apartamentos, ou UHs – unidades habitacionais, como eles dizem no jargão técnico. Fizemos o papo e a visita… demos sequência nos trâmites: orçamento, dúvidas, ajustes… aprovado!
Fiquei animado, era meu primeiro projetão! Para quem estava tentando emplacar aquela ideia como eu estava… aquele projeto era como música para meus ouvidos! Agarrei com toda força: “chegou minha hora!”

O segredo do sucesso: Gestão, liderança e a figura do “dono”
O espaço era bom, algo como 50 m2 de canteiros. A proposta era reformar uns canteiros de horta que eles tinham lá, e instalar mais 5 canteiros da minha horta suspensa, que ela tinha visto na entrevista e gostado. Na verdade eles já tinham tentado começar a horta, de um jeito mais espontâneo: procurando informações na internet, contando com a ajuda do zelador… vira e mexe eu vejo esse filme, é válido. Mas a ideia era contratar alguém para resolver, colocar pra funcionar.
Apesar de ser o primeiro projeto maior, eu já sabia mais ou menos o que fazer. Eu já tinha trabalhado em horta, já sabia da rotina. Era basicamente adaptar para aquela nova realidade. Algo que eu tinha comigo era a necessidade de ter duas figuras principais, para a horta ter sucesso no condomínio. Primeiro o apoio da administração, para garantir os insumos e a participação dos funcionários. Depois a figura de um líder dos moradores. Alguém para estar presente, ver o que precisa… organizar as rotinas e cobrar que a administração faça sua parte. E para tomar a frente do grupo dos moradores, marcar encontros… agitar! “Aquilo que é de todo mundo, é de ninguém” – como diz o ditado… então a horta precisa ter um “dono”. Na verdade se tiver dois moradores é melhor ainda, pois dá para dividir as tarefas. Essas pessoas eu ia identificar na oficina de inauguração, que é o nosso grande evento, depois de feita a implantação.
Implantação feita: cavar, adubar, delimitar, instalar irrigação, plantar mudas – duas semanas de trabalho. Chegou o grande dia! Eu já tinha pedido para divulgar bem: mensagens nos grupos de Whatsapp, cartazes nos elevadores… apareceu uma galera, fiquei animadíssimo! É curioso, porque no começo é um “climão”… as pessoas não estão acostumadas a se encontrar no condomínio a não ser para a reunião do condomínio, que, convenhamos, apesar de necessária não é a coisa mais gostosa do mundo.

A mágica acontece: Da “selva de pedra” ao prazer da colheita
Então se tem climão, o negócio é quebrar o gelo… a gente vai com jeitinho… conta uma piada aqui e ali, até as pessoas começarem a se olhar, e entenderem que aquilo pode ser legal. Aí eu falo um pouco de técnica, um pouco de organização, e um pouco de prazer e diversão… vou equilibrando e transmitindo para eles as ferramentas que vão precisar para dar continuidade. E dá certo. Não é difícil… é só ter um pouco de rotina e organização, como tudo na vida, né?
Aí, quando vem o resultado, é lindo! As plantas, as colheitas, as histórias… pessoas se encontrando, senhorinhas… crianças! Eu nunca vi ninguém triste na horta. Pelo contrário, é cada cena bonita que a gente presencia… pra mim é porque ali tem vida! A natureza, quando você olha de perto, é realmente encantadora, e perfeita. Põe um pouco de técnica e amor… e a mágica acontece. No meio da “selva de pedra”.




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Este condomínio é um caso que eu tenho orgulho de contar, porque estou lá há anos vendo tudo isso acontecer. Eu acompanho a distância, e vira e mexe vou para uma consultoria ou para uma oficina nova, com novas técnicas e novos moradores. A Karina Pravatti e a Lourdes Pereira, que são a síndica e a moradora dessa história, viraram grandes amigas, que eu tenho a sorte de ter.
Quer ver mais fotos? Dá uma olhada, tem um monte delas logo abaixo!
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